A Páscoa de Bento XVI
Em que pese todo o peso de uma tradição bimilenar, em que pese todo o laquê, o brilho de camadas e camadas seculares de ouro, de prata, de sangue de negros, de índios, de mouros.Em que pese a imobilização desta tradição da hierarquia e autoritarismo herdada de Constantino, se pudéssemos, pelo menos com os olhos da misericórdia que muitas vezes é negada pela própria instituição, vislumbrar no meio deste aparato romano algo de novo se mexendo, se movendo, deixando frestas para o vento entrar e a luz por mais tênue que seja, iluminar este mausoléu todo, gostaria de olhar e ver o que se segue, e deixar meu espírito perceber. Que as janelas do Vaticano sejam abertas. Sejam abertas e deixem o vento entrar, e entrando o sopro do Espírito, areje as salas conciliares, amoleça os corações de pedra dando-lhes consistência de carne, proclamem um ano jubilar para si próprios e se perdoem mutuamente. E se alimentem da Páscoa, da grande refeição pascal, universal e infinita, na qual os pobres tenham a primazia e se sintam fartos de comida e de ternura, cada um na sua cultura própria, com seus cantos e danças, acolhidos fraternalmente. Devemos lembrar sempre, que com os meios de comunicação atuais, levamos menos de 2 segundos para chegar a Roma. Imaginem o tempo e o sofrimento que Paulo passou para fazer o mesmo percurso há quase dois mil anos! Sonho celebrar esta Páscoa, espelho da Páscoa eterna. Uma Igreja unida como uma túnica inconsútil, tecida com milhões e milhões de fios, de todas as épocas, de todas as cores, de todas as regiões da Terra. Uma túnica como o manto de Maria, que cobre e protege os filhos por mais distantes que estejam, por mais diferentes que sejam. Uma feliz Páscoa para Bento XVI e para todos nós que estamos carregados de esperança nesta caminhada quaresmal, à procura da paz que filha legítima da Justiça.Bjs Na Alma!
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